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Transporte de medicamentos exige cuidados

Antes de chegar às prateleiras das farmácias, drogarias, clínicas e hospitais, os medicamentos percorrem um trajeto supervisionado de modo a não afetar sua integridade, mantendo inalteradas suas características intrínsecas. O monitoramento é parte das Boas Práticas de Transporte de Medicamentos, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as quais compreendem as diretrizes de qualidade do setor, objetivando condições adequadas de armazenamento, transporte e movimentação de carga, além da garantia de que os produtos sejam entregues aos destinatários certos. Segundo Marcelo Vogler, gerente substituto de inspeção de medicamentos da Anvisa, a instituição do Sistema de Controle e Fiscalização na cadeia dos produtos farmacêuticos, o qual engloba os cuidados da produção à dispensação, obrigou os distribuidores a assegurar que os produtos farmacêuticos ou farmoquímicos não sofram deterioração física ou decomposição química durante seu transporte para garantir a saúde pública.
Diversos aspectos são avaliados durante as etapas de operacionalização da carga que podem exercer influência diretamente na eficácia do produto, principalmente em virtude da oscilação de temperatura. Entre esses fatores, estão a forma de acondicionamento, o tipo de embalagem, as condições do veículo de transporte, os volumes máximos transportados, os equipamentos utilizados, a distância do trajeto, a duração da viagem e do carre gamento e a entrega.

 


Outra regra básica, segundo o gerente da Anvisa, é observar as recomendações contidas nos dizeres da embalagem do produto acerca da temperatura e dos cuidados de conservação. A entrega deve ser realizada na presença de uma pessoa devidamente qualificada para o recebimento do produto, a qual possa avaliar suas condições. Cabe lembrar que é proibido o transporte de medicamentos, drogas e insumos com produtos radioativos ou tóxicos (inseticidas, detergentes, lubrificantes, agrotóxicos). Apesar de detalhadas, as normas nem sempre são facilmente compreendidas. "Existem muitas regras que mencionam as obrigações das transportadoras, mas algumas vezes não mencionam claramente o que se deve implantar para operar corretamente", contrapõe Gisele Pimenta, farmacêutica responsável da Transportadora Transnegrelli, do grupo Uniflex. "Porém, conhecer as necessidades do segmento, as exigências dos clientes e os possíveis impactos com o produto transportado podem facilitar sua interpretação."

Deveres do transportador

Algumas premissas básicas são essenciais para o transporte de medicamentos. O transportador que deseja operar nesse segmento deve contar com um profissional farmacêutico em seu quadro de colaboradores e possuir o Certificado de Regularidade do Conselho Regional de Farmácia, que é exigido pela Anvisa, para a obtenção da autorização de funcionamento, e pela vigilância sanitária, para a emissão da licença ou cadastro de funcionamento, "fundamentais para o exercício da atividade", explica Gisele. 
As condições ideais de armazenamento e transporte também precisam ser respeitadas com rigor. "Não devemos pensar apenas na rastreabilidade da temperatura durante o transporte, mas sob que condições ela está sendo controlada. Baús refrigerados, por exemplo, são dotados de equipamentos que precisam de manutenção adequada e periódica", ressalta Gisele. Existem, segundo a farmacêutica, baús refrigerados que não garantem a carga por muito tempo se expostos a temperaturas fora do critério de aceitação. "Para os casos em que a refrigeração depende exclusivamente do veículo, e não da embalagem que o acondiciona, a qualificação do equipamento é fundamental, assim como a implantação de um efetivo controle de mudança de equipamentos da frota qualificada", destaca. Quando o medicamento é expedido em embalagem, com o objetivo de manter a temperatura, e o veículo não é refrigerado, deve ser registrada com o cliente a responsabilidade sobre a validação do processo de expedição do produto, a fim de garantir que o prazo de entrega contratado atenda às exigências.
Os problemas mais comuns que acontecem durante o transporte são avarias, extravios e roubos de carga. Segundo a gerente de garantia da qualidade do grupo Bomi, Maria Aparecida Iusif Luvizotto Rodrigues, a transportadora tem total responsabilidade sobre esses problemas.
"Há vários cuidados que se devem adotar para transportar medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, sobretudo os especiais", ressalta o gerente de logística da Galindo Distribuidora, Inaldo Souza Lemos. "Devemos avaliar a natureza do produto, a necessidade de conservação, a disposição em que se encontra no veículo e a higiene, evitar o contato com produtos tóxicos, radioativos e alimentos e a permanência em ambientes que apresentem odores. E é indispensável a presença do profissional farmacêutico avaliando todo o fluxo", considera.

Responsabilidade do farmacêutico 

Na farmácia, o profissional é responsável pela qualidade do produto transportado, juntamente com o fabricante, a distribuidora e a transportadora. Deve, portanto, assegurar que o medicamento chegue em boas condições ao consumidor final. "As Boas Práticas de Transporte de Medicamentos estabelecem a necessidade de verificação das condições físicas e de transporte do medicamento no momento da recepção. No caso de qualquer inconformidade, o produto deverá ser devolvido ao fornecedor para que sejam tomadas as devidas providências", afirma Vogler.